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sexta-feira, 2 de julho de 2010

o amor de Camões

bom, que eu sou viciadinha em falar de amor já deu pra notar, né. heh. e como a minha vida ultimamente tem sido só trabalho e faculdade e faculdade e faculdade e eu nem tenho tempo pra pensar em (quase) nada e nem ler nada que não seja poetas modernistas ou xerox, olha como o Camões é lindo.

"o amor é muitas vezes sentido e concebido por Camões como uma monstruosa entidade geradora de desconcertos e desastres cósmicos, míticos e históricos, de insânias, crimes e agonias individuais:

Não é Amor amor, se não vier
com doudices, desonras, dissensões,
pazes, guerras, prazer e desprazer,
perigos, línguas más, murmurações,
ciúmes, arruídos, competências,
temores, mortes, nojos, perdições.
Estas são verdadeiras experiências
de quem põe o desejo onde não deve,
de quem engana alheias inocências.
Mas isto sem Amor, que não se escreve
senão onde é ilícito e custoso;
e onde é mor perigo mais se atreve"


é como eu sempre digo... ;)

quarta-feira, 10 de março de 2010

depois do meio-dia

Expectativa alta, quase sonora, perguntas sem resposta, uma rosa tatuada. Um botão de flor murcho, que ainda tem cheiro. O branco já ficou amarelado, as pétalas estão secando. Em cima da mesa só o pó e o livro aberto. Não está na página marcada, o vento folheou e hoje nada mais faz sentido.  Assim tudo parado, a gente tenta achar poesia... Diz que falta o som de um piano – mas tem um rádio ligado. “Recados do coração”. Poeminhas piegas “de alguém que te ama tanto...” e começa a música tão brega, ele chorando por um amor que foi embora. Aqui, eu acabo de sair do banho, ainda escorrendo água do cabelo pelas costas, cheiro de hidratante. Ouço as buzinas na rua (o trânsito ta parado), mas não presto atenção no rádio. A empregada cantarola a música enquanto termina de lavar a louça: dois pratos, duas taças e o cinzeiro cheio.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

open up

Eu, que sou toda aberta, sei que tem uma parte minha que fica escondida. É como se mesmo meus melhores amigos, que me conhecem demais, não soubessem tudo. Ou se, pelo menos, não soubessem algumas das coisas que me são mais caras. Não to dizendo que sou um caso raro quanto a isso, porque imagino que a maioria das pessoas é assim.
Por isso que fico pensando no quanto é foda se relacionar com alguém. (Ah, os seres humanos, sempre tão cheios de traumas, neuras e muros...)
Já pensou como seria tão mais fácil se você tivesse a facilidade de falar o que está te incomodando em relação a uma pessoa, o que você admira mesmo... o que te impede de manter uma relação mais próxima com ela? Ou, ainda mais simples, o que ta fazendo do seu dia mais flúor ou mais nude (adoro referências de moda, heh)?
As pessoas descobririam o que têm em comum, trocariam ideias novas, saberiam quando vale a pena ficar do lado de alguém, quando vale a pena engatar amizade... To falando de fugir da trinca óbvia cinema-música-livros.
Cada pessoa é um universo e se a gente ficasse realmente aberto ao que os outros têm a dizer, a vida teria muito mais descobertas.
Eu tava conversando um dia desses com um amigo sobre isso, sobre como a maioria das relações que você vai ter na vida nunca vai passar do cordial e das convenções sociais.
E nem to falando da galera do trabalho e da faculdade (porque não sei você, mas é onde eu mais vejo gente interessante, que dá mesmo vontade de conversar, além ser onde passo o meu dia todo, né!). Mas essa relação superficial pode se estender àqueles amigos próximos e de longa data, com seus pais e irmãos. Espero que os relacionamentos amorosos ultrapassem essa barreira, né. Mas acho que nem esses são estimulantes assim pra sempre.
E, como ainda lembrou bem meu amigo, o paradoxo disso tudo é que as pessoas estão, na maior parte do tempo, justamente buscando essas relações mais profundas.
“Cada pessoa é uma ilha” porque quer, “cada um fala uma língua” porque ninguém ta disposto a aprender a língua do outro.

Um dia tava conversando com outro amigo no busão:
Pedro: Credo, como você é intransigente.
Eu: Eu não. As pessoas é que vêm e vão, ué. Eu continuo aqui.
Pedro: A mesma pessoa intransigente de sempre.
Eu: Exato.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

pólos iguais (e se repelem)

- É muito alto aqui. Tinha que ser aqui?
- Tinha. Este é o cenário que sempre imaginei pra nós.
- Não gosto de altura.
- Me dá sua mão.
- Onde você ta indo?
- Vou pular, claro. Não ia subir até aqui e ficar segurando no corrimão. Me dá sua mão.
- Ta maluca? Eu não vou pular! Não vou te segurar, mas também não vou pular.
- Mas você veio até aqui, já deveria saber...
- Não acreditei que você quisesse mesmo.
- Me dá a sua mão. Pula comigo.
- Você ta vendo a altura?
- Mas a gente sobe o quanto quer sentir da queda. É por isso que estamos aqui.
- Você quer pular para sentir o impacto do chão?
- Sim. Com você.
- Se você tivesse me dito, eu nem subiria.
- A escolha é sua.
Mãos dadas e eles voaram.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

06.08.1969 - 21.10.2003

"Sadness may be the easiest emotional current to pick up on in his songs, but Smith's expressive range was as wide as it was subtle; his music could be angry, funny, hopeful, and despondent, often at the same time." ...
"As faixas de 1995 trazem o Elliott de canções cruas e tensas, um folk embalado por sua voz em frágil dueto consigo mesma oscilando entre o sublime e o patético, entre a melancolia suicida e a tristeza vagamente otimista que alguma de suas canções entregavam, apesar de sua fama de depressivo crônico." *suspiro*

"Nearly six years after his death, the emotional transcendence and overall relevance of Elliott Smith’s material remains. From the intimate, lo-fi sounds of Roman Candle to the ornately arranged baroque pop of Figure 8, Smith’s entire catalog sparkles with poignancy and a sort of thoughtful, introspective songwriting rarely matched in its consistency and grace." ...


ele sempre vai ser a melhor companhia.
rest in peace

O encontro
O que não sei é se aquele cara me ouviu ou se eu o ouvi. Não sei se me moldei através do que ele sentia ou se, de repente, eu não estava mais sozinha no mundo. Mas quando nada mais fazia sentido, era só tocar aquele CD para eu me sentir em casa de novo. (...)
Mas quando eu ouvi aquele cara eu realmente gostei do que estava ouvindo, realmente sentia o que eu sentia. Eu vi que fazia parte de algum lugar e não me preocupei se aquilo era o tipo de coisa que se deveria sentir. Também não quis saber se estava parecendo patética, infantil ou fraca demais: aquele cara também se sentia assim e isso era a única coisa que eu precisava saber. (...)


Oásis
Aquele cara virou meu oásis, mas eu me forcei a ouvi-lo o mínimo possível. É que eu não poderia deixar que a rotina tirasse o espetáculo de cada encontro.

(trechinhos do meu mojobook sobre o either/or)

fuck fuck fuck


domingo, 18 de outubro de 2009

“A literatura não diz nada aos seres humanos satisfeitos com seu destino, de todo contentes com o modo como vivem a vida. A literatura é alimento dos espíritos indóceis e propagadora da inconformidade, um refúgio para quem tem muito ou muito pouco na vida, onde é possível não ser infeliz, não se sentir incompleto, não ser frustrado nas próprias aspirações. Cavalgar junto ao esquálido Rocinante e ao seu desregrado cavaleiro pelas terras da Mancha, percorrer os mares em busca da baleia branca com o capitão Ahab, tomar o arsênico com Emma Bovary ou transformar-se em inseto com Gregor Samsa é um modo astuto que inventamos para nos mitigar pelas ofensas e imposições desta vida injusta que nos obriga a sermos sempre os mesmos, enquanto gostaríamos de ser muitos, tantos quantos fossem necessários para satisfazer os desejos incandescentes de que somos possuídos.”

Mario Vargas Llosa na Piauí deste mês.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios

“O que acontece é que, quando estou com você, eu me perdôo por todas as lutas que a vida venceu por pontos, e me esqueço completamente que a gente como eu, no fim, acaba saindo mais cedo de bares, de brigas e de amores para não pagar a conta. Isso eu poderia ter dito a ela. Mas não disse.”