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sexta-feira, 4 de junho de 2010

Anthony walked to his death because he thought he’d never feel this way again
If he goes back to the house then things would go from bad to worse, what could he do? 
He wants to remember things exactly as he left them on that funny day...

Belle & Sebastian - If you're feeling sinister

terça-feira, 9 de março de 2010

rabiscos enquanto te esperava

Continuando o que eu estava dizendo quando fomos interrompidos: então será que é verdade que a vida não é feita de surpresas, mas de esforços, tentativas, tentativas de novo e sonhos bem-sucedidos ou não? To tão cansada de me esforçar e parece que a única que está socando o João-bobo, com a mão machucada e o suor excessivo sou eu. É aquela coisa de a gente não enxergar os tombos, mas parece que tudo o que eu vivo é mentira. Isso é tão... decepcionante? O que me dói é olhar pra trás e ver o monte de oportunidades que eu deixei passar quando parecia que eu tinha tanto tempo. Você sabia que os dias não têm 24, mas 19 horas? Não sou dona de nenhuma delas. Eu sei que não tem rascunho e é como se eu não tivesse nem futuro. Fico nessa corrida contra o tempo, coelho correndo “to atrasado”. Como vamos chamar o nosso gato? Todas as minhas tentativas ainda parecem pouco quando seus olhos azuis me mostram que tudo é ainda muito maior. Vamos falar sobre o tempo enquanto tomamos uma cerveja? Vamos sorrir? Que assim ele passa mais devagar... Vamos falar sobre aquele tempo em que você só queria entender o que acontece nesse mundo tão novo, visitante de um país diferente, em que cada sotaque tem sabor de fruta fresca. Eu já me sentia dolorida e sem esperança, procurando um analgésico que desse jeito. Estiramento do músculo. Eu ofegante e você o ar fresco. Era tanto tempo, deixamos passar. “Ainda dá tempo” e os dias nem têm mais 24 horas.até quando teremos que esperar? Como aquele dia em que eu te olhei e você assoprou a fumava do cigarro com a mão no bolso. Pose de flanêur. Também quero ver o mundo pelos seus olhos tão azuis. Intrusa no seu universo de cores e sons confusos. Harmonia que destoa de mim. Eu não consigo te ouvir. Certa vez você quis falar sobre loucura e eu fiquei quieta, porque sentia você finalmente no meu mundo. Estava achando tudo tão em sintonia que eu só queria que você dissesse o que espera de alguém como eu. Me desculpe se pareço tão avoada, mas é que cada palavra sua reflete uma imagem que eu nunca reconheci por aqui. Águas calmas de espelho, vitória-régia e susto. Cada sílaba, cada sentimento, um pedaço tão pequeno do que a gente poderia ser. Eu gosto da sua calma, astronauta apreciando a órbita, uma imensidão de espaços tranquilos com as estrelas brilhando – cada uma com seu brilho próprio.  Elas brilham sozinhas. Você ri da minha desordem, disse que eu não vejo que o caos tem mais a ver com o olhar do que com a bagunça.



(e você chegou)

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

#se_joga_2010

Por que é tão difícil pras pessoas encarar as coisas como elas são na real, dar importância pro que tem que dar?
Sabe... Aquilo te toca? Dá importância.
Aquilo não te deslumbra? Não dá.
Aquilo dói? Descobre o motivo, se agarra na dor e depois vive a vida.
Aquilo te deixa alegre? Se joga.
Mas nãããão, tooodo mundo tem que complicar. Parece que é difícil demais assumir o que sente.
Sabe quando tem medo de arrancar a casca? É sim, às vezes dói pra caralho. Às vezes, o que dói mesmo é demonstrar pras pessoas que você não ta nem aí, ou que tudo é carência, enfim...
Mas sei lá, eu prefiro as porradas que levo da realidade (né e levo, tantas :/) do que continuar pra sempre em cima de uma nuvem – que vai se desfazer a qualquer momento.
Eu não to caindo na bobagem de dizer que sou “intensa”. Porque não, não sou. A maioria das coisas passa bem rápido por aqui mesmo. Grandes coisas eu só percebo que são grandes depois. Acabo dedicando um tempão (e saúde, nossa como eu desperdiço saúde) com umas coisinhas que semana que vem eu nem lembro.
Não é intensidade, é só seguir o instinto – que erra, mas vamo que vamo.
O que eu nunca vou entender – de verdade, nunca – é como algumas pessoas preferem passar a vida sem olhar de verdade para as coisas (ou até para si mesmas) por medo da dor.
Não entendo porque as pessoas querem tanto evitar o sofrimento. Gente, passa. Simples assim, passa.
Outra coisa que também não quero que você (tem alguém lendo? Heh) confunda: é que não to falando sobre como a chuva fina incomodando pra sempre causa mais estragos que uma tempestade (oi, Garcia Marques) porque, né, a pura verdade, mas acho que todo mundo já percebeu. Todo mundo já viu que o problema não vai sumir só porque você prefere não pensar sobre isso. E que, depois de um tempo, já ta tudo mofado mesmo e aí você vai ter que jogar tudo no lixo.
O que eu to dizendo é que não entendo o que assusta tanto as pessoas no sofrimento! Medo de chorar? Medo de sentir vontade de morrer? Medo?!
Só se tiver medo da própria merda que você é (ou se tornou...). Mas também não precisa de drama, reconhecer é o primeiro passo e quase nada na vida é assim tão incontrolável.
Gente, só acho que universos paralelos são sensacionais – fugir da concretude de todos aqueles jeitos ilícitos é mais ainda – mas a realidade sempre dá uma puta dose de surrealidade pra você se esbaldar.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009


E se eu não olhasse mais na mesma direção? E se eu desligasse a música? E se eu decidisse voltar a pé? E se eu dormisse a tarde toda? Se eu não tomasse mais nenhuma tequila? E se eu gritasse até você me ouvir? E se eu desse as costas e fosse embora? E se eu acendesse seu cigarro e o apagasse na palma da sua mão? E se eu te beijasse aqui, sem testemunhas? E se eu dançasse até meus joelhos doerem? E se eu te dissesse que esse bigode te cai mesmo muito bem? E se eu te desse um cacho de uvas podres? Se eu desarrumasse a cama, tirasse os lençóis? Se eu jogasse todas as suas roupas no chão, quebrasse alguns copos, destruísse toda essa ordem? E se eu pedisse explicações? E se eu não desse explicações? E se eu acordasse os vizinhos? E se eu te dissesse que eu não me importo e que sim, continuo muito bem sem você? E se eu te dissesse que foi tudo mentira? E se eu não risse das suas piadas e te servisse o café da manhã? E se eu buscasse suas roupas na lavanderia e brincasse de ser sua mulher? E se eu arranhasse os seus discos? Se eu rasgasse suas fotos? E se eu contasse para o porteiro o que você faz durante a noite? E se eu guardasse pra sempre os gemidinhos que você dá enquanto dorme? Se eu apagasse da minha memória o sorriso que você dá quando sonha? E se eu te chamasse por aquele apelido ridículo que seus amigos inventaram? E se eu nunca mais respondesse ao apelido que você inventou? E se eu confessasse que acho seus poemas muito ruins? E se eu confessasse que acho a sua voz ao telefone a melhor melodia do mundo? E se eu concordasse com o que você está falando? E se eu te amasse, você ainda estaria aqui?

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

"Entre uma pessoa e outra existe sempre um abismo, uma descontinuidade. Não estamos em continuidade com os pais nem com os filhos, somos um, e isso nos angustia e nos impulsiona. Vivemos para romper esse abismo, o desafio é a aproximação e a convivência, o que não pode se dar a qualquer custo. A convivência é um desafio, mas precisamos criar outras modalidades de relacionamento, pautadas em valores mais amplos. Vivemos entulhados, pendurados uns nos outros, a maioria de nós é carente e se vende a qualquer tipo de encontro, mas na hora de pensar, raciocinar, isolam, fragmentam, segmentam. As pessoas querem se relacionar, anseiam, quase desesperadamente, por isso, mas elegem uma infinidade de valores excludentes para mediar essa relação. Não gosto de quem ouve tal música, não aceito que me digam isto ou aquilo, não admito tal situação etc. As pessoas não sabem lidar com a diferença, no fundo querem conviver consigo mesmas."

Trechinho de "Diante de uma vida que nos escapa" -
entrevista com a psicanalista Viviane Mosé na revista continuum