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quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

hello, sunshine


O Pedro nasceu há 15 dias e mal fica acordado. É magrinho, tem as pernas tão pequenininhas, que a gente quase abraça as duas com uma mão só.
Coisa bonita é vê-lo dormindo - quando sonha, ele faz bico.
Tem o cabelo bem preto como o do pai e mesmo sendo tão ralinhos, os tios já dão a sentença: esse vai ser careca como o avô.
Ele só acorda quando tem fome, aí se esforça pra manter os olhos abertos. Mal encosta a boca no peito, já fecha os olhos de novo.
A irmã mais velha não se cabe de orgulho: “você viu meu irmão?”. E aí ela deita do seu lado e fica olhando ele domir. A mãozinha tão pequena, segurando a mão ainda menor do Pedro. Ele ainda não consegue ver as caretas que a irmã faz pra ele, mas segura o dedo dela.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

dezessete

Tem gente que se desdobra pra ficar parecido com as outras pessoas, porque assim é o mais fácil de fazer (e de ser, né). Mas tem gente que, ó, não adianta. Pode tentar ser igual, mas não consegue. Sempre alguma coisa sobra.
O meu irmão, que é a pessoa mais incrível desse mundo - e que eu tive a sorte de que viesse parar aqui justamente como meu irmão - é uma dessas que não se encaixa, sempre sobra.
Ele tem um jeito próprio de encarar as coisas e as pessoas - e de lidar com elas também.
E, o que eu acho mais bonito, ele é um daqueles que olha para os lados, aproveitando cada detalhe, enquanto caminha pra frente. Sem atropelar nada nem ninguém.
É que eu sei que às vezes seria mais fácil a gente ser igual todo mundo mesmo... não se sentir fora do eixo. Mas aí a gente descobre que lindo mesmo é ser exatamente do jeito que meu irmão é. (/babona)
Parabéns, Xupsy.
Te amo!

domingo, 18 de outubro de 2009

nos tempos de algodão doce

Estava brincando com os primos que não via há tempos, na casa do meu bisavô, e um deles (uns dois anos mais velho) me chamou para ir com ele no fliperama e tomar sorvete. Só nós dois.
Era um sábado à tarde, no verão. Deveria ser fim de 1991 ou 1992.
Eu, com a tiara inseparável e chinelos, andava orgulhosa pelas ruas do centro. Ele nem percebia a minha timidez (se percebesse, provavelmente nem entenderia o motivo).
Eu nunca gostei de videogames, mas ri muito da sua cara de concentração, as expressões de raiva e susto e o jeito que se jogava pra frente ou pro lado enquanto ia batendo nos botões.
Não lembro o que a gente conversou na sorveteria. Sobre o que crianças conversam entre si? Só lembro que me sentia muito adulta de estar na sorveteria sozinha (e com um menino). E que depois a gente voltou e continuou brincando com os outros. Mas eu sentia uma cumplicidade de alguma coisa que seria sempre só entre a gente, sabe.